Uma nova política para o Brasil: menos privilégio,mais preparo e compromisso com o cidadão.

 

    O Brasil não precisa apenas de novos políticos. precisa de uma nova maneira de pensar e de como exercer a política de maneira correta. há décadas,o cidadão brasileiro acompanha escândalos, disputas partidárias,promessas de campanha,gastos públicos elevados e uma distância cada vez maior entre aqueles que ocupam cargos públicos e aqueles que deveriam ser a verdadeira razão da existência desses cargos: o povo. é claro que a política é necessária. e nenhuma sociedade democrática funciona sem representantes,instituições e pessoas dispostas a administrar os interesses coletivos. o grande problema aqui no nosso país não está na existência da política,mas na maneira como ela muitas vezes é praticada.

Talvez seja hora de fazer uma pergunta incômoda:

E se mudássemos as regras para quem quer entrar na política,e isso deixasse de ser visto como uma oportunidade pessoal e passasse a ser encarado como uma missão de serviço público? a proposta não seria simplesmente trocar nomes,partidos ou ideologias. seria mudar a própria estrutura de entrada e permanência na vida pública. menos cargos,menos tempo no poder,mais preparo,mais experiência,mais responsabilidade. e acima de tudo,uma ideia que deveria estar presente na mente de todo aquele que decide se candidatar:
 

 
Ser político não é servir a si mesmo. É servir àqueles que confiaram em você.

Política deveria começar na base

Uma das mudanças que poderiam ser discutidas seria a criação de uma espécie de trajetória mínima e de capacitação para quem deseja ingressar na política. antes de disputar cargos de maior responsabilidade,o candidato deveria passar por uma formação obrigatória sobre administração pública,funcionamento das instituições,constituição,ética,orçamento,políticas públicas,direitos e deveres do cidadão,e principalmente sobre o verdadeiro significado de representar outras pessoas no congresso. seja nacional,estadual ou municipal.

Não se trata de exigir que todo político seja um especialista ou um acadêmico.
 
Diploma não garante caráter.
Conhecimento não garante honestidade.

E um certificado jamais será capaz de transformar uma pessoa sem princípios em um bom representante. Mas preparo é necessário. Se exigimos formação e qualificação de profissionais responsáveis por diversas áreas da sociedade,então por que não deveríamos exigir um mínimo de preparação daqueles que pretendem administrar recursos públicos e tomar decisões que afetam milhões de pessoas? O candidato deveria compreender que ocupar um cargo eletivo não significa conquistar um prêmio. significa assumir uma responsabilidade.

Começar de baixo para conhecer a realidade

Outra mudança possível seria estabelecer uma trajetória política mais gradual. em vez de alguém surgir diretamente para disputar os cargos mais altos da República sem qualquer experiência administrativa ou legislativa,poderíamos (e devemos) discutir um modelo no qual a carreira política começasse pela esfera municipal.

O vereador está mais próximo do cidadão.

Ele,em tese precisa conhecer os bairros,as ruas,escolas,postos de saúde,transporte público, problemas de saneamento,segurança e as dificuldades enfrentadas diariamente pela população. começar de baixo poderia proporcionar ao futuro político uma experiência concreta sobre aquilo que significa administrar problemas reais. Depois de demonstrar competência, responsabilidade e compromisso,poderia então buscar cargos de maior abrangência. isso não seria uma questão de criar uma "casta política" ou fechar as portas para novos nomes. pelo contrário; seria uma tentativa de fazer com que aqueles que desejam chegar aos níveis mais altos do poder primeiro conheçam, na prática, as necessidades de quem está na base da sociedade. antes de representar um estado,seria preciso aprender a representar uma comunidade,um bairro,uma metrópole. antes de pensar no país inteiro,seria necessário entender o próprio município.

Dois mandatos seriam mais que suficientes

Outro problema que merece reflexão é a permanência indefinida de determinadas pessoas na política. a democracia permite que o eleitor escolha novamente aqueles que considera bons representantes. Esse princípio deve ser respeitado. porém,também é legítimo discutir se permanecer décadas ocupando cargos eletivos favorece o interesse público ou cria uma dependência excessiva do poder. uma proposta bem interessante seria estabelecer um limite de dois mandatos consecutivos para o mesmo cargo (vereadores,deputados e senadores). assim como já existe no cargo de presidente e governador. depois disso,o político precisaria deixar aquela função e permanecer afastado por um determinado período antes de poder disputar novamente as eleições, esse tempo seria suficiente para oxigenar a política nas esferas municipais,estaduais e federais,além da própria população ver quem de fato é apto para progredir e também inserir novas pessoas,novas ideias e pontos de vista. dentro dessa proposta, poderia também existir uma regra de no mínimo 8 (oito) anos de intervalo antes de uma nova candidatura politica.

A intenção não seria punir quem trabalha corretamente. Seria impedir que a política se transforme em profissão permanente e que o poder não passasse a ser encarado como propriedade pessoal ou até mesmo familiar.
 
O cargo pertence ao povo.o político apenas o ocupa temporariamente. e esses cargos também precisa ter idade-limite. outro ponto que poderia ser debatido seria a existência de um limite máximo de idade para o exercício de cargos eletivos na política. Uma proposta seria estabelecer 65 anos como idade máxima para permanecer em atividade no ramo da política. Naturalmente, idade não é sinônimo de incapacidade. Existem pessoas mais velhas extremamente lúcidas, experientes e produtivas, assim como existem pessoas jovens sem preparo algum. portanto a discussão não deveria ser sobre o valor de uma pessoa em razão da idade. deve ser sobre renovação institucional de tempos em tempos. a política precisa de experiência,mas também precisa de renovação. Uma sociedade que muda constantemente em seus hábitos,tecnologias,profissões e desafios precisa permitir que novas gerações também participem das decisões que determinarão o seu futuro.

Menos parlamentares, mais responsabilidade

Também podemos discutir a quantidade de representantes. Hoje, a Constituição estabelece três senadores por estado e pelo Distrito Federal, enquanto a representação na Câmara dos Deputados varia de acordo com a população,dentro dos limites constitucionais de oito a setenta deputados por unidade da Federação. uma proposta mais radical seria reduzir significativamente esse número. por exemplo: estabelecer dois senadores por estado e uma estrutura mais enxuta de representação na câmara. No modelo imaginado por mim nesta proposta,cada estado teria uma quantidade mais enxuta de deputados (entre 10 ou 12 por estado),buscando reduzir custos administrativos e tornar mais clara a responsabilidade de cada parlamentar perante seus eleitores. Naturalmente,uma mudança dessa magnitude precisaria considerar as diferenças populacionais entre os estados e preservar a representação democrática. portanto,o objetivo não deveria ser simplesmente "cortar números",mas encontrar um equilíbrio entre representatividade, eficiência e custo. a pergunta fundamental seria: nós precisamos realmente de uma estrutura política atual tão grande para representar os interesses da população? se for possível fazer o mesmo trabalho com menos pessoas, menos estruturas e menos despesas,o dinheiro economizado poderia retornar à sociedade na forma de investimentos em saúde,educação,segurança,infraestrutura e outros serviços públicos úteis.

Política não deve ser um caminho para privilégios

Existe ainda uma questão especialmente sensível: os benefícios relacionados ao exercício de cargos políticos. uma reforma séria precisaria discutir não apenas salários,mas também verbas,benefícios,estruturas administrativas,assessorias,aposentadorias e demais custos associados ao exercício do poder. dentro dessa proposta,poderia ser estudado um modelo de aposentadoria limitado a 70% do valor do último salário recebido em exercício político, sempre respeitando contribuições e critérios de sustentabilidade financeira. O princípio seria simples: o cargo político não deveria garantir uma vida privilegiada depois que o mandato terminasse. quem escolhe servir ao país deveria fazê-lo porque acredita naquilo que está fazendo,e não porque descobriu na política uma maneira de garantir benefícios pessoais para o resto da vida. é preciso,porém,que qualquer mudança nessa área seja construída com responsabilidade atuarial e jurídica. Não basta reduzir um número no papel; é necessário garantir que o sistema seja financeiramente sustentável e compatível com a legislação.

O verdadeiro requisito deveria ser algo que nenhuma reforma constitucional consegue garantir sozinha. Caráter.

Podemos reduzir deputados.
Podemos limitar mandatos.
Podemos criar cursos e preparação para entrar na politica
Podemos estabelecer regras de idade.
Podemos reduzir salários e benefícios.

Mas nenhuma lei será capaz de obrigar alguém a ser honesto quando ninguém estiver olhando. o principal requisito para entrar na política devesse ser uma compreensão profunda de uma palavra que parece simples, mas que possui enorme significado: Servir.

Servir não significa ser inferior.
Servir significa colocar o interesse coletivo acima do interesse pessoal.
Político deve entrar em um gabinete lembrando que aquele espaço não é dele.
O dinheiro que administra não é dele.
O cargo que ocupa não é dele.
O poder que recebeu não é dele.
 
Tudo isso pertence, em última análise, à sociedade que o elegeu e aos cidadãos que financiam o Estado por meio de seus impostos. talvez essa mudança de mentalidade fosse mais importante do que qualquer outra.

Mudar o Brasil não significa apenas trocar um político por outro. significa mudar as regras,os incentivos e,principalmente,a cultura que envolve o exercício do poder. precisamos de uma política que valorize a experiência sem permitir que ela se transforme em permanência eterna; que valorize o conhecimento sem confundi-lo com inteligência; que permita a renovação sem desprezar aqueles que possuem experiência; e que ofereça autoridade apenas a quem compreenda a responsabilidade que acompanha essa autoridade.

Um novo modelo poderia discutir candidatos mais preparados, trajetórias políticas mais responsáveis, limites de mandatos, renovação periódica, redução de estruturas, controle de gastos e critérios mais rigorosos para benefícios após o exercício do cargo. mas tudo isso só terá sentido se houver uma mudança fundamental na consciência de quem entra na vida pública. porque o Brasil não precisa de pessoas que desejem apenas chegar ao poder. precisa de pessoas que saibam o que fazer com o poder quando chegarem lá. é extremamente necessário lembrar aos futuros políticos uma verdade que deveria ser ensinada antes mesmo de qualquer curso de formação: Honra,Caráter e Moral.

O povo não elege donos do país,elege servidores. e servidor público,no caso da política deveria entender que seu mandato possui um começo,meio e fim. depois dele, a vida continua. a cadeira fica,o cargo passa,muda de mãos,mas as consequências das escolhas permanecem na vida de milhões de brasileiros. por isso,talvez a verdadeira reforma política não comece no congresso. comece na consciência de quem vota. na consciência de quem se candidata. e principalmente, na compreensão de que política não deveria ser um caminho para conquistar privilégios,mas uma oportunidade temporária de deixar o país um pouco melhor do que o encontramos. menos poder concentrado,menos privilégios,mais preparo,mais responsabilidade. mais renovação. e acima de tudo,uma política que volte a lembrar para quem ela realmente existe: para o cidadão.

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